“Fica, Sandro”: Abaixo-assinado Defende Permanência do Elefante no Zoológico de Sorocaba
Um abaixo-assinado lançado por técnicos, biólogos, veterinários e cidadãos mobiliza a sociedade em defesa do elefante Sandro, residente há décadas no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP). A petição pública solicita que o animal permaneça na instituição, contestando propostas de transferência para um chamado “santuário”.
De acordo com os signatários, Sandro é um símbolo de conservação, pesquisa e educação ambiental no município, sendo considerado um verdadeiro “embaixador de sua espécie”. Os especialistas alertam para os riscos envolvidos em uma possível remoção, que poderia representar um trauma grave e até fatal para o elefante, que é idoso e já adaptado ao local onde vive há anos.
“Santuário” não é categoria legal
O documento chama a atenção para um equívoco recorrente: a ideia de que “santuários” seriam ambientes naturalmente mais adequados para animais silvestres. Segundo a Resolução CONAMA nº 489/2018, o termo “santuário” não é uma categoria oficialmente reconhecida pelos órgãos ambientais no Brasil. Na prática, esses locais funcionam como mantenedouros, frequentemente operados por ONGs, sem as mesmas obrigações técnicas, legais e sanitárias que zoológicos públicos licenciados.
Os autores do abaixo-assinado também destacam a ausência de estudos ambientais que avaliem os impactos da introdução de espécies exóticas, como o elefante-africanos e elefantes-asiáticos, no bioma Cerrado — onde se localiza o Santuário de Elefantes Brasil (SEB). Não há garantias de que os animais consigam se adaptar ao novo ambiente ou que estejam protegidos contra patógenos locais, que podem ser fatais.
Casos trágicos reforçam preocupações
O documento menciona exemplos preocupantes. Quatro dos dez elefantes transferidos ao Santuário de Elefantes Brasil já morreram. Em um dos casos, o óbito foi causado pela ingestão de frutos espinhosos do Cerrado, desconhecidos para os animais e potencialmente perigosos. Outro episódio citado foi a morte do chimpanzé Black, em um santuário diferente, atribuída a uma dieta inadequada, que incluía alimentos ultraprocessados, como feijoada e doces.
Esses exemplos, afirmam os técnicos, evidenciam a falta de especialização de algumas dessas instituições e colocam em xeque a eficácia do modelo de “santuário” como solução para animais silvestres em cativeiro.
Ciência e bem-estar animal em primeiro lugar
“Como profissionais da área ambiental e da saúde animal, exigimos respeito técnico e a consideração de critérios científicos”, afirmam os signatários. “Decisões sobre o bem-estar de um animal como Sandro devem ser pautadas por laudos, conhecimento técnico e respeito à sua história de vida.”
O movimento “Fica, Sandro” reforça que a permanência do elefante em Sorocaba não é apenas uma questão local, mas envolve princípios fundamentais sobre o manejo ético de fauna silvestre em cativeiro no Brasil.
O abaixo-assinado segue aberto ao público e pode ser acessado por meio do link na bio das redes sociais do movimento, ou clicando aqui:

