Engenheira Florestal de Assis Leva ao MP Relatório Contra Transferência do Elefante Sandro para Santuário

Engenheira Florestal de Assis Leva ao MP Relatório Contra Transferência do Elefante Sandro para Santuário

Giselda Durigan, pesquisadora e especialista em ecologia do Cerrado, questiona impactos ambientais da mudança e defende permanência do animal no zoológico de Sorocaba.

A engenheira florestal, professora universitária e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), especialista em ecologia do Cerrado, Dra. Giselda Durigan, de Assis, protocolou nesta segunda-feira, 04 de agosto, um relatório completo ao Ministério Público de Sorocaba, para tratar sobre a possível transferência do elefante asiático Sandro, de 53 anos, do Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”, em Sorocaba para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (MT). A pesquisadora sustenta que a melhor solução, diante da impossibilidade de devolver Sandro ao seu habitat natural na Ásia, seria mantê-lo no recinto onde já vive há 43 anos.

“O zoológico foi adaptado para as necessidades dele. Ele tem acompanhamento veterinário, alimentação balanceada e está em boas condições. Tirá-lo de lá pode gerar um novo problema sem resolver o anterior”, argumenta.

Santuário de Elefantes Brasil (SEB) — Foto: Reprodução

A possível transferência do elefante para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), reacende uma discussão nacional sobre conservação da fauna e preservação dos biomas brasileiros. Giselda se posiciona publicamente contra a mudança do animal, alegando riscos ao próprio elefante e ao ecossistema do Cerrado.

Sandro vive há mais de quatro décadas no zoológico paulista, onde é o morador mais antigo. Ele chegou ao local em 1982, e desde então é o único elefante macho asiático mantido em cativeiro no Brasil. O tema voltou ao debate após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspender, no dia 16 de julho, uma decisão anterior que determinava a transferência do animal para o santuário no Mato Grosso. Com a nova decisão, Sandro permanece no zoológico enquanto o processo judicial segue em andamento.

A engenheira florestal, professora universitária e pesquisadora do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), especialista em ecologia do Cerrado, Dra. Giselda Durigan – Foto: Portal AssisCity

Para Giselda, a comoção popular em torno da ideia de “libertar” o elefante esconde questões ambientais graves. “O Cerrado não é habitat natural de elefantes. A vegetação nativa da região, as veredas e nascentes de água límpida, são extremamente frágeis e não evoluíram para resistir à presença de um animal de grande porte como o elefante”, afirma. Segundo a pesquisadora, espécies vegetais do Cerrado não possuem adaptações, como espinhos ou cascas espessas, comuns na vegetação da savana africana – ambiente natural desses grandes herbívoros.

A engenheira florestal explica que, diferente do que muitos imaginam, o santuário não se trata de uma floresta preservada, mas de uma antiga área de pastagem de 1.200 hectares, que hoje abriga cerca de sete elefantas fêmeas, incluindo Pupy e Kenya, transferidas recentemente. “Trata-se de um ambiente em processo de degradação. A presença contínua de elefantes pode acelerar a desertificação da área e provocar o desaparecimento de espécies nativas, tanto da flora quanto da fauna associada”, alerta.

Além das questões ecológicas, Giselda aponta possíveis riscos à saúde e bem-estar do próprio Sandro. Acostumado ao convívio solitário e à rotina do zoológico, o elefante poderia sofrer estresse ao ser introduzido em um grupo de fêmeas com as quais jamais teve contato. “Há ainda a possibilidade de ele ser castrado antes da transferência, o que seria uma violência desnecessária”, avalia.

A pesquisadora também ressalta que o debate em torno da transferência está sendo pautado mais por apelos emocionais do que por critérios técnicos. “O amor pelos animais não pode estar acima do bom senso e da ciência. O impacto ecológico da presença de elefantes em um bioma sensível como o Cerrado é imenso. A simples ideia de reproduzi-los aqui é uma ameaça à biodiversidade”, conclui.

Fonte: Assis City