Carbonext e NaturAll Carbon Anunciam Parceria Estratégica para Projetos de Crédito de Carbono em Agricultura Regenerativa

Carbonext e NaturAll Carbon Anunciam Parceria Estratégica para Projetos de Crédito de Carbono em Agricultura Regenerativa
Projeto de agricultura regenerativa: à esquerda, área convertida; à direita, área ainda degradada (Imagens: NaturAll Carbon)

Carbonext torna-se sócia da NaturAll Carbon com aquisição de participação da climate-tech anglo-brasileira, primeira nas Américas e segunda no mundo a certificar projeto de ALM. Parceria une REDD+ e agricultura regenerativa com meta de 150 mil hectares até 2027

Carbonext, empresa brasileira de soluções baseadas na natureza e uma das maiores desenvolvedoras de projetos REDD+ do país, anuncia a aquisição de participação da NaturAll Carbon, climate-tech anglo-brasileira pioneira no desenvolvimento de projetos de agricultura regenerativa e conservacionista certificados internacionalmente. A parceria representa um movimento estratégico para fortalecer e diversificar o portfólio de soluções climáticas no Brasil e ampliar as oportunidades de geração de créditos de carbono em diferentes biomas e perfis produtivos.

As duas empresas manterão suas operações de forma independente, atuando em segmentos complementares: a Carbonext na conservação, restauro e soluções para empresas, e a NaturAll Carbon no desenvolvimento de projetos ALM (Agriculture Land Management) voltados a remoções de CO₂ atmosférico e captura de carbono no solo por meio de práticas regenerativas. A parceria busca integrar as melhores práticas, tecnologias e expertises para acelerar a transição para um agronegócio de baixo carbono no Brasil.

Uma parceria para escalar soluções climáticas no agro

Com atuação em cinco estados da Amazônia Legal (AC, AM, MT, PA e RO), a Carbonext desenvolve hoje 11 projetos REDD+, com 485 mil hectares de área de geração de créditos e mais de 6,6 milhões de hectares monitorados. Seus projetos beneficiaram mais de 5 mil famílias em comunidades locais. A companhia possui uma equipe técnica multidisciplinar com engenheiros, biólogos, antropólogos, geógrafos e especialistas ambientais, com mais de 23 mil horas de campo acumuladas.

Além da frente de ALM aberta com a NaturAll Carbon, a Carbonext realiza inventários de emissões de empresas, apresenta soluções customizadas para compensações, e está prospectando projetos de aflorestamento,

Já a NaturAll Carbon foi a primeira empresa nas Américas e apenas a segunda no mundo a obter a validação oficial e a emissão de créditos de carbono verificados sob a metodologia VM0042 de Agricultura Regenerativa (ALM) da Verra – maior certificadora do mercado voluntário de carbono. O NaturAll Carbon Program, certificado no dia 27 de maio pela Verra, foi concebido como projeto agrupado, permitindo que, após confirmação de elegibilidade, novas fazendas sejam incluídas a qualquer momento, sem necessidade de novo processo de validação.

Atuando principalmente em áreas de Cerrado, transição Amazônia-Cerrado e regiões agrícolas do Pará, a companhia pretende atingir áreas de projetos de 150 mil hectares até 2027 e 500 mil hectares até 2030, agora com o apoio estratégico da Carbonext em frentes como diligência jurídica, originação de fazendas, tecnologia da informação e comunicação.

“A agricultura regenerativa será um dos principais focos da COP-30 em Belém. Com esse investimento na NaturAll Carbon, a Carbonext dá um passo significativo para fortalecer seu portfólio de desenvolvimento de projetos no agronegócio brasileiro”, afirma Janaina Dallan, co-CEO da Carbonext.

Governança e expansão internacional

A NaturAll Carbon manterá sua gestão executiva original, liderada por seus fundadores: Alexandre Trevia Leite (CEO), Felipe Granguelli Antoniazi (CTO) e Márcio Michel Facas (COO). Para fortalecer a sinergia entre as empresas, Janaina Dallan e Luciano Corrêa da Fonseca, ambos co-CEOs da Carbonext), passarão a integrar o Conselho de Administração da NaturAll Carbon Limited, com sede em Londres. Rafael Martins, diretor de Novos Negócios da Carbonext, torna-se conselheiro observador da NaturAll Carbon.

“Embora tivéssemos outras oportunidades de investimento, nosso objetivo era encontrar um parceiro que oferecesse mais do que apenas capital financeiro”, afirma Alexandre Leite, CEO da NaturAll Carbon. “Priorizamos um sócio que compartilhasse a mesma visão estratégica e tivesse a capacidade de impulsionar o crescimento da empresa. A Carbonext se mostrou a escolha ideal.”

Luciano Fonseca, co-CEO da Carbonext, destaca: “Temos uma visão comum sobre a urgência climática e a necessidade de soluções que aliem conservação ambiental, produtividade e valor compartilhado. Essa parceria não é apenas estratégica, é complementar, escalável e transformadora”.

Mais oportunidades para produtores rurais

A parceria entre Carbonext e NaturAll Carbon visa ampliar o acesso de produtores rurais à nova economia do carbono, criando oportunidades concretas para quem adota boas práticas de uso da terra. A metodologia ALM permite a remuneração por serviços ambientais como a captura de carbono no solo via técnicas como plantio direto, rotação de culturas, cobertura vegetal, integração lavoura-pecuária e integração lavoura-pecuária-floresta.

De acordo com estimativas do mercado, produtores que aderem a programas certificados podem gerar, em média, de 2 a 5 créditos de carbono por hectare ao ano, dependendo do histórico de uso da área e da qualidade da implementação técnica. Em um projeto pioneiro da NaturAll com a AMAGGI — maior empresa brasileira de grãos e fibras —, produtores parceiros já começam a adotar essas práticas em 25 mil hectares no estado de Rondônia, com certificação prevista pelo padrão VERRA.

“A agricultura regenerativa não é apenas uma solução climática, é também uma nova forma de gerar valor e renda para o produtor rural. Produtores que aderirem ao projeto, além de receberem receita com os créditos de carbono, terão acesso facilitado aos financiamentos verdes dos bancos e, potencialmente, melhores preços para seus produtos junto às tradings”, reforça Leite. A meta é atrair novos parceiros ao modelo e ampliar a presença da agricultura de carbono no campo brasileiro.