Projeto analisa a vulnerabilidade costeira e propõe estratégias para aumentar a resiliência climática no território
Mais de 24% do litoral paranaense apresenta alta ou muito alta vulnerabilidade costeira, segundo o estudo “Análises de vulnerabilidade costeira, áreas prioritárias e recomendações estratégicas”, do projeto “Olha o Clima, Litoral!”. A partir de uma avaliação detalhada da vulnerabilidade costeira do território, o documento propõe estratégias para aumentar a resiliência à mudança climática.
Realizado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o projeto visa apoiar gestores públicos e comunidades na implementação de estratégias de adaptação climática, com uma abordagem integrada de gestão socioambiental e territorial.
De acordo com o relatório, mais de 19% do território foi classificado com “alta vulnerabilidade”, incluindo parte da baía de Guaraqueçaba (englobando a Ilha Rasa), Ilha das Peças e Ilha do Mel, as bacias litorâneas entre Paranaguá e Pontal do Paraná, como a bacia do rio Guaraguaçu, e toda a zona costeira dos municípios de Pontal do Paraná e Matinhos. A Ilha de Superagui foi classificada com “muito alta vulnerabilidade” (5% do total).
Doze comunidades, a maioria em Guaraqueçaba e Antonina, foram identificadas como alvos prioritários para ações de adaptação, apresentando alta vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Aproximadamente 20% dos manguezais e brejos salinos do litoral necessitam de ações urgentes para aumentar sua resiliência, incluindo a erradicação de espécies invasoras e a implementação de proteção legal mais rigorosa.
As áreas foram classificadas a partir de fatores como erosão, elevação do nível do mar e declividade, com o uso do Índice de Vulnerabilidade Costeira (IVC), uma metodologia amplamente aplicada no mundo para identificar regiões mais vulneráveis considerando aspectos geológicos e físicos. Também foram avaliados indicadores de fragilidade de ecossistemas costeiros (em especial manguezais e brejos salinos), indicadores sociais, demográficos e a avaliação da gestão ambiental dos municípios.
Recomendações
A proposta do projeto é que estas informações auxiliem gestores públicos na aplicação de recursos para mais resiliência climática. O relatório indica ações com base na Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE), voltadas a conservar, recuperar e gerir ecossistemas, visando a adaptação à mudança climática. Isso inclui ações como recuperar vegetação nativa para evitar deslizamentos, restaurar habitats costeiros e conservar florestas para regular o fluxo de água.
As Soluções baseadas na Natureza (SbN), como a proteção de manguezais e brejos salinos, e a criação de unidades de conservação, também foram recomendadas, por contribuírem com barreiras naturais contra os impactos climáticos, gerando benefícios à biodiversidade e às populações locais. A abordagem destaca a importância de integrar a gestão socioambiental e territorial para fortalecer a resiliência climática.
Além disso, sugere eixos estratégicos para orientar políticas públicas, incluindo a gestão territorial integrada para a resiliência climática, a conservação de ecossistemas naturais, o engajamento de atores sociais, a promoção de estudos na região e a capacitação institucional e humana para a gestão ambiental.
O relatório é o segundo da série “Mudança climática: projeções e recomendações para o Litoral do Paraná” – o primeiro trouxe projeções do aumento do nível do mar sobre ecossistemas costeiros e seus estoques de carbono azul no Paraná.
Acesse o novo estudo “Mudança Climática: Projeções e Recomendações para o Litoral do Paraná – Análises de vulnerabilidade costeira, áreas prioritárias e recomendações estratégicas” aqui.
Sobre o projeto “Olha o Clima, Litoral!”
O projeto “Olha o Clima, Litoral!” atua para a manutenção da biodiversidade e a resiliência à mudança climática no litoral do Paraná, com foco na conservação e na restauração de manguezais e ambientes associados. É realizado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, na linha de atuação de Florestas.
O projeto visa desenvolver e implementar, de forma participativa, estratégias e práticas de Adaptações baseadas em Ecossistemas (AbE) dirigidas aos manguezais, brejos salinos e comunidades do litoral paranaense. Com a abordagem da Teoria da Mudança, atua nas áreas de restauração ecológica, monitoramento de flora e avifauna, adaptação à mudança climática, articulação territorial e ações socioambientais.