Crise Climática: Outono Terá Novos Recordes de Calor? 

Crise Climática: Outono Terá Novos Recordes de Calor? 

Larissa Warnavin e Renata Adriana Garbossa Silva* 

Os cientistas dividem opiniões sobre a crise climática. Enquanto uns acreditam que as anomalias estão dentro de um padrão esperado das previsões, outros estão preocupados com a velocidade em que o aumento das temperaturas está ocorrendo. Esse aumento é atribuído não apenas ao fenômeno do El Niño, mas também ao crescente impacto dos gases de efeito estufa, especialmente nas grandes cidades, que retêm o calor na atmosfera e contribuem para o aquecimento dos oceanos, nossos principais reguladores climáticos.  

Segundo dados publicados pelo CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), para o outono brasileiro são esperadas temperaturas mais amenas e clima mais seco em decorrência do enfraquecimento do El Niño a partir do mês de maio. No entanto, se um ano de La Niña se confirmar, as temperaturas tendem a ser mais altas, causando dias ainda mais quentes e secas severas em algumas regiões. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste as chuvas devem ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerem acima da média. Já para as regiões Sul e Sudeste as chuvas e temperaturas devem ficar acima da média.  

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) informou recentemente que novos recordes de temperatura podem ser alcançados em 2024, sendo um ano ainda mais quente que 2023.  A ONU também emitiu um alerta vermelho, indicando que as temperaturas médias do ano passado foram as mais altas já registradas, atingindo 1,45°C acima dos níveis pré-industriais. Esses dados revelam que chegamos a um momento crítico da crise climática, com efeitos nocivos cada vez mais evidentes para vida em nosso planeta.  

Enquanto acompanhamos as notícias que são veiculadas diariamente sobre o aumento global das temperaturas, sentimos os efeitos do calor em nossos cotidianos. As medidas de mitigação do aquecimento global progridem lentamente, sendo que é urgente acelerar a transição energética para abandonarmos o uso de combustíveis fósseis e modificar os padrões de consumo, buscando a redução das emissões de gases de efeito estufa e encontrando soluções para destinação dos resíduos. 

O aumento das temperaturas oceânicas não apenas acelera o derretimento das geleiras causando a elevação do nível do mar, mas também afeta diretamente a dinâmica da vida marinha e causa distúrbios em ecossistemas delicados, como os recifes de corais, plânctons e algas. Além disso, as ondas de calor podem aumentar as taxas de mortalidade, especialmente entre crianças e idosos. Nos países tropicais, o aumento das temperaturas pode causar a intensificação das chuvas e, combinado ao calor extremo, aumentar a incidência de doenças tropicais, como Dengue, Zika, Chikungunya, malária, leptospirose e febre amarela. Embora as variações climáticas possam ser toleráveis a curto prazo, devemos nos preparar para condições extremas de calor, tempestades, doença e escassez de recursos a médio e longo prazo.  

*Larissa Warnavin é geógrafa, mestre e doutora em Geografia. Docente da Área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter. 

*Renata Adriana Garbossa Silva é geógrafa, pedagoga, mestre em geologia e doutora em Geografia. Coordenadora da Área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter. 

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