Como o “GRENNWASHING” Impacta Negativamente nos Negócios

Como o “GRENNWASHING” Impacta Negativamente nos Negócios

Por: Helen Brito – Gerente Relações Institucionais da ABREE — Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos

Diante do crescimento nos últimos anos das discussões relacionadas às temáticas de sustentabilidade nas empresas, foi possível perceber um avanço no assunto, visto a relevância que a pauta ganhou no mercado. Porém, em paralelo começou a se popularizar o termo greenwashing – traduzido do inglês para “lavagem verde” ou até mesmo “maquiagem verde”. Uma referência a divulgações de informações enganosas sobre sustentabilidade nos negócios, transparecendo uma imagem que não condiz com realizada aplicada de fato.  

Segundo a perspectiva de diretores de investimentos, gerentes e analistas no relatório anual da Global Investor Survey 2022, desenvolvido pela PwC Brasil, 91% dos investidores brasileiros acham que os relatórios das corporações podem ter greenwashing. Já na média mundial, esse valor reduz para 87%. Esse panorama traz preocupação, pois é fundamental ter progressos verídicos a respeito do ESG – Ambiental, Social e Governança em português, com o objetivo de conquistar negócios mais responsáveis e sustentáveis, no qual possuam cada vez mais impactos positivos na sociedade.   

As empresas que dialogam com esse comportamento no mercado realizam a propagação de informações que não representam suas atividades internas. Com o uso da comunicação para se beneficiar de uma reputação positiva, as companhias acabam alastrando que seus processos ou produtos são ecologicamente corretos. Essa ação, além de impactar negativamente os avanços para negócios, afeta toda cadeia de consumidores envolvidos e, principalmente, o meio ambiente. E os consumidores, engados com a narrativa, acreditam que estão contribuindo para a sustentabilidade quando consomem produtos e serviços de organizações que praticam greenwashing.   

O relacionamento com entidades do setor de sustentabilidade pode colaborar com as companhias que desejam avançar ecologicamente nos negócios, devido à experiência e domínio das técnicas já desenvolvidas em suas atividades. Deste modo, tornar-se uma associada de uma instituição que tenha conexão com seu ramo de trabalho tem o potencial de auxiliar no crescimento sustentável da corporação, instruindo suas ações de forma correta e autêntica. 

Esse é um movimento importante para o desdobramento da evolução suportável que ajuda na transparência das ações executadas, uma vez que essas entidades possuem dentro de suas diretrizes uma prestação de contas detalhada aos órgãos responsáveis. Tal fato, colabora para que as empresas possam introduzir estas ações na sua cultura e no seu mercado, certificando que as mudanças de fato trazem consequências positivas e verdadeiras para sociedade. 

Por isso, é essencial haver um monitoramento com auditoria dos indicadores ESG nas empresas que possa atestar que suas práticas “sustentáveis” representam sua realidade e não foram ações isoladas buscando melhoria de imagem e reputação perante seu público e o mercado. Relatórios, informativos, campanhas, entre outros dados também ajudam a comprovar aquilo que é divulgado. Em janeiro deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Resolução 59, que dentre outras determinações, regulou que as empresas de capital aberto são obrigadas a informar e justificar, caso não adotem, métricas ESG – Environmental (Ambiental), Social (Social) e Governance (Governança) -, além de indicar onde tais índices podem ser encontrados on-line. 

Ressalto ainda que é importante levar em consideração o mercado de atuação da organização, pois para cada ambiente há aspectos de sustentabilidade mais pertinentes que devem ganhar maior protagonismo nas ações. 

 

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